Para um Movimento da Libertação

Mônica Sánchez

 

   
 

 

A primeira vez que escutei Medicina da Libertação, associei-a, obviamente, à Teologia da Libertação. Pensei, porém: qualquer pessoa poderia utilizar seu campo de especialização “para a libertação”, para ajudar outros a construir um mundo melhor. Minha mente extrapolou o conceito, aplicando-o à minha própria profissão.

Sou escritora e editora; faço o possível para ajudar na promoção da saúde e direitos humanos num trabalho de voluntariado para uma organização sem fim lucrativo chamada “Doutores para a Saude Global”. Elaboro seu Boletim de Notícias e outros materiais. Poderia dizer que sou uma Escritora e Editora de Libertação.

Qualquer profissão pode ser um veículo para dar poder aos menos afortunados. Os que trabalham na hidráulica e dão seu tempo e conhecimento à “Habitat for Humanity”, estão praticando uma Hidráulica de Libertação. O perito em computadores que trabalhou voluntariamente para criar uma rede de computadores e um projeto em El Salvador praticou Engenharia de Libertação. Minha mãe, que se vale da pintura para denunciar a violência e a injustiça, faz Arte de Libertação. E assim as possibilidades são infinitas...

Imaginem que comunidade poderia ser construída se cada um, trabalhando para melhorar seu próprio ambiente, pudesse sentir-se parte de um grupo muito maior de afinidade... Um Movimento de Libertação, feito de Medicina de Libertação, Engenharia de Libertação, Editorial de Libertação, Arte de Libertação, etc. Cada um de nós teria contato com uma rede de profissionais em vários campos de especialização e poderíamos ajudar-nos a resolver os problemas com formas novas e originais...

É claro que fazer um trabalho de caridade simplesmente não o qualifica como Libertação; algumas das forças mais opressivas em nossa sociedade fazem muitas “obras de caridade”... Por isso é importante estender a este Movimento a definição da Medicina de Libertação: “O uso consciente e determinado da vocação pessoal para promover a dignidade humana e a justiça social”. Todo tipo de libertação requer trabalho para e com outros seres humanos, com a consciência de que as mesmas cadeias nos amarram a todos, ainda que alguns levemos uma vida mais fácil.

   
 

Mônica SÁNCHEZ
Monique@bway.net


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