Medicina da Libertação

Lanny SMITH

 

   
 

Ainda que o livro do P. Martín Baró seja sobre “Psicologia da Libertação”, parece-me que a mensagem do livro é aplicável à medicina em geral. Martín Baró escrevia: “Em nosso caso, mais que em outros, o princípio a ser mantido é o de que a preocupação do cientista social não deve ser tanto explicar o mundo, mas modificá-lo”.

Martín Baró insiste em que A Psicologia da Libertação devia explorar novos horizontes, uma nova maneira de buscar conhecimento e uma nova maneira de agir. Como exemplo do que se deveria fazer ele refere o exemplo de Paulo Freire, o brasileiro que desenvolveu o método de alfabetização de adultos pobres baseado no diálogo e buscou romper “as cadeias da opressão pessoal, assim como as cadeias da opressão social”.
Medicina da Libertação imediatamente traz à mente a Teologia da Libertação (TL), o movimento que interpretou os ensinamentos de Jesus fazendo um chamado radical à igualdade e ao amor a todos. Metodologia útil com ou sem o ponto de vista religioso, a TL faz um chamado à observação, reflexão e ação. Sempre que possível, este processo deveria realizar-se por meio de acompanhamento dos marginalizados, aqueles a quem D. Romero se referia como os “que não têm voz”.

Evidentemente muita gente tem praticado a Medicina da Libertação por longo tempo, sem que a tenham chamado assim. Temos que esforçar-nos para trabalhar dentro do contexto da comunidade, porque a libertação é um exercício tanto comunitário quanto individual. Em “Virtudes da Prática Médica”, Edmundo Pellegrino e David Tomasma apresentam a medicina como uma comunidade moral: “Estas três coisas – índole da enfermidade, não propriedade do conhecimento médico, e o juramento de fidelidade aos interesses do paciente – geram um laço moral forte e uma responsabilidade coletiva... A medicina não pode, e não deve, fazer tudo isto sozinha. Pode associar-se a outros profissionais da saude, pessoas interessadas e legisladores”.

Veja: www.dgonline.org/spanish/sp-libmed.html

 

   
 

 



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