Alternativas e propostas
Resistência e organização
Pastoral Social – Cáritas
Panamá
Uma alternativa à Alça: Aliança
Social Continental
Paralelamente à Segunda
Reunião do Fórum das Américas realizada em Santiago do
Chile em 1998, realizou-se a Reunião do Fórum dos Povos das
Américas. Para este Fórum convergiram diversas
organizações e movimentos sociais de todo o hemisfério,
para expressar sua rejeição coletiva à agenda neoliberal
dominante no processo da Alca. Esta reunião centrou-se na
construção da Aliança Social Continental, a qual pretende
construir uma alternativa com base nas propostas e forças coletivas
que emanam das organizações sociais do Continente.
Em maio de 2001, em Tapachula
(México) e em novembro de 2001 em Xelajú ( Guatemala) , em dois
fóruns, mais de 300 organizações sociais dos estados e
países afetados e observadores do Canadá, Estados Unidos,
Alemanha, Austrália, Bélgica, Espanha, França, Grã
Bretanha, Irlanda, Itália, Noruega e Suécia, rejeitaram
o Plano Puebla Panamá (PPP), porque é um projeto
geopolítico de colonização selvagem, que busca construir
na Mesoamérica (no meio da América?) uma área de
serviços e infra-estruturas, partindo da lógica de empresas
multinacionais, grupos oligárquicos nacionais e organismos financeiros
internacionais.
No Fórum Social Mundial
realizado em Porto Alegre, Brasil, no início de 2002, deu-se a conhecer
o Plebiscito Nacional no Brasil sobre a Alca, dando a conhecer as
implicações e objetivos do plano neoliberal onde estão em
jogo a soberania, a liberdade e as conquistas sociais
As pessoas e a vida humana em primeiro lugar
Diante da
situação em que vivemos pelo avanço da Área de
Livre Comércio das Américas (Alca), o PPP e o Plano
Colômbia, diferentes organizações sociais apresentaram
ao povo propostas e alternativas humanas e solidárias. Apresentamos
algumas delas para nossa reflexão e futuras ações de
incidência social.
A experiência de 10 anos
no Mercosul , diz Cláudio Katz foi marcada por atropelos às
condições de vida dos trabalhadores e o aumento do desemprego. Um
projeto de integração genuína de nossos povos
deverá partir da satisfação de
reivindicações básicas como o aumento do salário
mínimo, o seguro social do desemprego e a gratuidade da
educação e saúde.
A Primazia da solidariedade diante do Lucro
Coordenar políticas
para alcançar estes objetivos implica a solidariedade e não a
competitividade, alentar a estabilidade no trabalho e não a mobilidade
do capital, promover melhores condições de vida e não a
eficiência dos negócios. Remover o obstáculo que
interpõe a dívida externa para o desenvolvimento
sustentável. A integração deve ser concebida como um
processo de transformação total do modelo social e
econômico.
Alternativas para a integração neoliberal:
auto-gestão comunitária
Os Fóruns Tapachula e
Xelajú (“Frente à globalização, o povo
é prioridade”) chamam para que fortaleçam as iniciativas de
resistência e de construção desde a base, de alternativas
viáveis de índole econômica, associativa, solidária,
eqüitativa, sustentável e de auto-gestão, emanadas das
necessidades e diversidade cultural, social e econômica de nossos povos.
Aumentar nossos
esforços para sistematizar as experiências e alternativas de
desenvolvimento comunitário e regional. Estimular os investimentos que
gerem emprego produtivo e um desenvolvimento agropecuário que garantam
a soberania do trabalhado e alimentação. Exigimos dos
governos de nossos países um debate público e informado sobre os
impactos econômicos, sociais, culturais e ambientais do PPP e a
discussão de projetos alternativos de desenvolvimento e investimento.
Condenamos toda forma de
militarização na região, manifestando nossa
rejeição categórica ao Plano Colômbia e
pronunciamo-nos para que o processo de paz seja retomado neste país
irmão.
A Convergência de
Movimentos dos Povos das Américas construindo alternativas
frente ao neo- liberalismo, propõe um movimento do continente americano
de coordenação ampla, autônomo, pluralista e
democrático, no qual mulheres e homens dos diferentes setores organizados
lutemos pela construção de uma nova sociedade.
Os eixos em seu plano de ação são:
- Por uma
integração alternativa e contra a ALCA: propõe-se um
trabalho de cooperativas, campanhas educativas de informação;
mobilização continental, sistematizar, analisar, documentar e
socializar os impactos dos tratados de livre comércio, promover
referendos e colaborar com outras redes em ações concretas.
-Pela paz e contra o Plano
Colômbia e a militarização: a denúncia ativa,
campanhas de reflexão, sensibilização, análise,
informação e difusão da relação entre a militarização
e a implementação do modelo neoliberal, além da
mobilização social e ações solidárias com o
povo colombiano.
-Por uma perspectiva de
gênero: deve ser um eixo transversal em toda a vida humana, em todos os
seus âmbitos e níveis, em todas as suas formas de
expressão, mas também em todas as práticas sociais,
políticas e econômicas. A equidade de gênero deve estar
presente na família, na educação, na democracia, nas
atitudes e nas leis.
-Por um desenvolvimento rural
alternativo: um povo que não é capaz de produzir seus
próprios alimentos perde sua liberdade e sua autonomia. Um
desenvolvimento com paz, includente, cultural, sustentável, integral,
justo e democrático; a reivindicação de uma reforma
agrária; o respeito das tradições locais e coletivas na
relação social com a terra e a produção
agrícola.
-Pelos direitos territoriais e
a defesa da biodiversidade: estimular a convergência de movimentos com a
informação, difusão e conscientização;
exigência, mobilização social e denúncia, contra os
projetos de exploração de minerais e sua imediata
moratória; apoiar as ações de outros esforços
continentais e mundiais, criar e difundir as alternativas assim como
ações encaminhadas para defender e promover o meio ambiente como
espaço que preserve a vida para todos e todas.
-Pela soberania e contra a
dívida externa: porque estes acordos violam a soberania de nossos povos
e tenhamos uma clara rejeição pela dívida externa.
Nós nos unimos ao
clamor por uma “Soberania de alimentos a partir do ponto de vista das
populações indígenas”, Resolução do
seminário internacional da FIMARC Chiang Mai, Tailândia 2001:
“Cremos que uma mudança profunda é possível e convidamos atodas as pessoas que compartilhem estas idéias conosco, a realizar uma conversão total para que economia capitalista seja substituída por uma economia social, com justiça e harmonia, onde os conflitos não existam e se respeitem os seres humanos”.